Como empresas concorrentes trabalham juntas

Os assuntos dos quais trata o ECR são problemas comuns a todos, que independem de marcas, preços, participação de mercado e outros assuntos inerentes à estratégia de cada empresa.

Alguns resultados dos esforços de ECR são, por exemplo, a criação de um pallet padrão para o mercado, a determinação de padrões globais de identificação de produtos (sistema EAN/UCC), o estabelecimento de uma linguagem comum para a comunicação de dados via computador, práticas de agendamento de entrega, técnicas de gerenciamento de categorias, ferramentas de mensuração de custos que permitam a comparação de dados entre diferentes empresas e muitos outros assuntos. Procura-se a melhora de processos, que elimina as ineficiências e retrabalhos, em benefício da competitividade do setor.

Para que envolver tantas empresas ?
Não seria mais fácil simplesmente editar normas ?

Ninguém melhor de que as empresas sabe quais são os problemas em suas operações. Mesmo assim, muitas vezes há surpresas quando uma empresa percebe que um serviço que lhe parece perfeito é avaliado como precário pelo seu parceiro de negócios.

Por outro lado, a implantação de muitos processos exige mudanças na estrutura e operações das empresas – e ninguém melhor de que os envolvidos para avaliar a viabilidade e benefício das propostas.

Por outro lado, o ECR não tem qualquer poder normativo ou regulatório: a adesão é voluntária e motivada pelos resultados. A palavra-chave é competitividade: na maioria dos mercados se observa um processo de acelerada concentração, poucas e grandes empresas, muitas vezes globais, é que dominam o mercado, trazendo recursos financeiros e técnicos que lhes permitem trabalhar com custos menores que seus concorrentes, oferecendo mais variedade de produtos e melhores níveis de serviço. Quem não conseguir no mínimo acompanhar estes padrões, se vê abandonado pelos clientes. E não são leis, regulamentos ou normas que vão agregar a competitividade, mas sim a melhora na gestão e a parceria com os demais integrantes da cadeia, em soluções sob medida para as necessidades específicas de cada segmento de atividade.

Assim, é indispensável a presença de representantes das próprias empresas, identificando e dimensionando os problemas, desenhando e testando soluções, e assim criando as melhores práticas para sua própria atividade, aceitas e compartilhadas pelos benefícios que propiciam a todos.

O ECR se aplica apenas a empresas
do setor alimentar e a supermercados ?

Não. Este foi o primeiro núcleo de desenvolvimento do ECR, mas a aplicação dos conceitos e ferramentas é universal: qualquer empresa industrial e comercial precisa de logística eficiente, comunicação eletrônica de informações com seus parceiros de negócios, cadastros de produtos que permitam a automação dos processos logísticos e de reposição e tantos outros tratados pelo ECR.

Também o porte das empresas não é fator limitante, tanto grandes como pequenos podendo (e devendo) ser eficientes.
A real barreira que existe é cultural: muitos dirigentes de empresas menores não se dispõem a alterar seus processos de gestão personalizados e centralizados, muitas vezes não controlando sequer os estoques de forma precisa (o que é imprescindível para a gestão eficiente) e/ou não contando com profissionais qualificados para as funções de gestão.

O ECR exige um mínimo de organização para que as empresas possam começar a "conversar" entre si por via eletrônica, agilizando processos e reduzindo desperdícios e retrabalhos.

Há muitos exemplos no Brasil e no mundo de empresas dos mais variados setores aplicando ferramentas ECR, da indústria automobilística à têxtil, passando pela eletro-eletrônica, construção, siderúrgica, farmacêutica, de higiene e limpeza, lazer … O que existe, sim, é um diferente estágio de desenvolvimento de gestão dos vários setores e empresas, os mais bem organizados tendo mais facilidade de conseguir resultados, na medida em que antes de começar a usufruir dos benefícios é preciso "ter a casa em ordem", com informações e processos confiáveis.

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